Alguns pequenos casos desta viagem pela Itália e, a partir de hoje e por três dias, Portugal.
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Em Roma, eles gostam muito do Leonardo da Vinci. Aliás, na Itália toda, no mundo todo. Mas às vezes gostar demais atrapalha. Roma possui dois aeroportos principais. O primeiro se chama Leonardo da Vinci. E o segundo se chama…Leonardo da Vinci. Assim, antigamente, quando o passageiro dizia que queria ir para o aeroporto Leonardo da Vinci, ninguém sabia qual exatamente (e eles ficam muito longe um do outro).
A solução italiana foi acrescentar ao nome de cada um dos aeroportos o nome da cidadezinha onde ficavam. Fiumicino para o maior. Ciampino para o menor.
Resultado. Hoje todo mundo somente se refere aos aeroportos como Fiumicino e Ciampino. A maioria nem sabe que o nome oficial é Leonardo da Vinci…
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Vocês já devem ter ouvido falar dos diferentes dialetos que ainda são falados em todas as regiões da Itália. Eu estudo muito isso no meu curso de Letras. Mas vi que a coisa é ainda pior. Mesmo numa mesma província, com cidades que distam alguns poucos quilômetros entre si (Napoli, Sorrento, Capri, Positano, Amalfi, Salerno) cada uma tem seu dialeto específico e muitas vezes, mesmo para um napolitano, é difícil entender o que um sorrentino está falando. Imagina eu, que só sei, ainda mal, o italiano. Tudo bem que com os estrangeiros eles falam o italiano quase padrão. Mas conversa de motorista com fiscal de bilhete era impossível entender…
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Cheguei em Lisboa, peguei o taxi e fui observando as placas de trânsito. Logo na saída do aeroporto, havia uma que dizia, na parte de cima “Parque das Nações”, e na parte de baixo “Outras Direções”. E ambas apontavam para o mesmo lugar. Fiquei pensando. Se eu quiser ir para o Parque das Nações, sigo por ali. Mas se eu quiser ir para qualquer outra direção, sigo por ali também. Então onde eu iria parar se seguisse para o outro lado, para o qual não havia placa indicativa?
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Cheguei no hotel em Lisboa. Tinha feito minha reserva pela internet há mais de 15 dias. Não funcionou. A reserva estava lá, mas por alguma razão misteriosa, havia sido cancelada. E o hotel estava cheio. O gerente, muito sem graça, me pediu desculpas e disse que chamaria um taxi para me levar a um outro hotel do grupo, do mesmo nível e ainda melhor localizado, cobrando os mesmos preços que eu havia obtido pela internet.
Além disso, como forma de compensar meu transtorno, ele iria me dar, todos os dias, um pequeno almoço, de graça.
Fiquei pensando, por que será que ele vai me dar um almocinho apenas ao invés de um almoço normal? Seria um prato infantil? Como eles iriam controlar que meu prato fosse menor que o prato dos demais?
Depois eu descobri que, em Portugal, pequeno almoço é o nome do nosso café-da-manhã…
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Cheguei no hotel em Lisboa, o outro. Como duas noites atrás eu havia derrubado um copo de whisky no meu laptop (que, desde então, ainda não se recuperou da coma alcoólica) quis ir direto para a internet.
Perguntei como funcionava. O gerente me disse que tinha cartões de 15 minutos, 30 minutos e uma hora. Eu disse tudo bem, quero duas horas.
Ele respondeu, com a cara mais normal do mundo, “duas horas não temos”…
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Pelo pouco tempo que estou em Portugal, acho que ainda vou escrever mais coisas no blog nesta linha…
30/04/2010 às 3:29 PM |
Adoro seus textos. Você é muito talentoso
Escreve muito bem! Acho que ja li seu blog todo.E gostei de tudo que li. Mas como toda amante de astrologia, não consigo deixar de reparar aspectos capricornianos em seus comentários.
) Abraços e continue escrevendo!
30/04/2010 às 3:50 PM |
Realmente, Mário, Portugal é um lugar que rende muitos “causos”. Vou contar um que aconteceu comigo:
Entrei em um restaurante e perguntei o preço da salada de atum. O Caboclo respondeu. Como estava sem fome e não queria desperdiçar comida, perguntei qual era o tamanho da tal salada. O Português respondeu que era do tamanho do prato rs rs rs
Outra coisa que acontece muito em Portugal. Se vc pergunta se um determinado lugar é longe.Daí eles respondem que não, que é perto. Então vc pergunta: mais ou menos quanto tempo a pè. E os Portugueses respondem: Depende do tamanho do seu passo… rs rs rs
Algumas dicas linguisticas: Se uma rapariga aí em Lisboa falar que vc é um cara muito giro. Fique feliz, pois giro é bonito, interessante, legal. Se escutar alguém falando que vai chamar os putos pra brincar. Não se assuste. Putos são crianças. Ah, tem o “fiche” também que significa legal… “Sitio” é lugar.
Que saudades de Portugal!!!!
Um toque : O Parque das nações é fria(pelo menos eu achei). Lá é um bairro super americanizado. Nem parece Europa, é muito estranho….. Não aconselho…
Beijos e curte bastante aí….
Flavia
30/04/2010 às 8:55 PM |
Rsrsrsrs!!!!
Em francês tb é petit déjeuner…
Bj
Dri
30/04/2010 às 10:22 PM |
Olá, Mário!
Blog também é cultura! Eu cheguei a Roma pelo Fiumicino. Eu realmente não sabia que esse aeroporto se chama Leonardo da Vinci. Valeu!
Em Portugal, também fiquei super incomodada com as placas “Outras Direções”. Nossa! Não é uma placa óbvia???
Ah… uma advertência: cuidado ao se referir aos meus antepassados nos seus próximos casos, hein? Eu sei que eles dão muitos motivos para falarmos… falarmos… rirmos… mas… vou vigiar… hehe!!! Sou neta de português… com muito orgulho!
Não sei se ainda há um restaurante na Rua dos Bacalhoeiros chamado Cubata. Comi um bacalhau lá maravilhoso!!!
Bons passeios!
Beijos, Lília.
04/05/2010 às 3:50 PM |
hahahaha. Diversão pura este teu texto!
Bjs
22/11/2010 às 5:42 AM |
Nunca estive em Roma, mas adorei Milão, principalmente os restaurantes e os sapatos. Minha avó paterna é da Sicília e já considerei obter cidadania italiana. Qual é o protocolo, Mário? O meu pai teria que aplicar primeiro?
Estive em Lisboa mas fiquei enfadada de tanto fado. Já não aguentava mais aquela “choradeira” no meu ouvido em todo restaurante em que entrava. Além disso, não me conformei com tudo fechar na hora da cesta (na verdade, acho que eram três horas!). Adoro bacalhau a Gomes de Sá, mas fiquei bem mais feliz comendo bacalhau numa vilazinha de pescadores ao norte de Amsterdã (bacalhoada e camarão ao alho deliciosos e um astral fantástico). Para finalizar, torta de maçã com sorvete de baunilha e canela numa confeitaria alemã ao lado. Aliás, restaurante na Holanda só se for internacional. Fui ao “Cinco Moscas” (falo sério, este é o nome do lugar), o restaurante cinco estrelas mais famoso de Amsterdã e saí decepcionada (uma comida simplesmente medíocre e caríssima). Tratei de procurar um restaurante internacional em três tempos. Encontrei um argentino delicioso e charmoso, El Gatón Nero (acho que a Maricota iria gostar), e fiquei freguesa. Uma carne fantástica que eles importam da Argentina a cada dois dias.